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AS MUITAS FACES DE ERIC

Eric é um dos personagens mais bem documentados do grupo, principalmente porque insiste em falar sobre si mesmo. Sempre que tem oportunidade, ele redireciona o assunto para sua experiência, suas opiniões, suas percepções. Os garotos deveriam ser muito tolerante com Eric; esse tipo de traço poderia ter levado almas menos nobres a amarrar o falastrão e entregá-lo ao orc mais próximo.

O que Eric mais menciona é o dinheiro de sua família — parte do qual ele consegue tirar de um bolso da armadura (?) em "Em Busca do Mestre dos Magos"; mas as notas desaparecem assim que aparecem. O dinheiro continuou sendo uma prioridade em "O Jardim de Zinn", quando ele aceitou o pedido de casamento da Rainha somente depois de ver um baú de ouro e joias. Sua descrição do Demodragão é que é "maior que a conta bancária do meu pai". Quando terminava de brincar no quintal quando criança, ele não simplesmente entrava em casa: o jardineiro o buscava em um carrinho de golfe. Ele desdenha da flor que causa todos os problemas em "A Bela e a Fera do Pântano" dizendo que o jardim de sua mãe tinha flores melhores do que aquela.

Aliás, essa é a única vez que ouvimos falar da mãe de Eric. Quanto ao pai, a comparação que Eric faz entre seu pai e Rahmoud em "A Cidade à Margem da Meia-Noite" é fascinante: "[Rahmoud] é melhor do que meu pai jamais foi." O clichê da família americana branca de classe alta, rígida e emocionalmente distante, já era bastante comum mesmo nos anos 80, mas pode muito bem fazer parte da dinâmica que molda a personalidade de Eric.

Será que podemos afirmar que Eric aprendeu seu humor mordaz e seu jeito sarcástico sendo alvo das farpas verbais de seu pai? Acredito que uma boa dose de ridículo em casa deu origem ao pavor revelado em "À Procura do Esqueleto Guerreiro", quando Eric diz: "Eu não sairia de casa se achasse que as pessoas iriam rir de mim." Ironicamente, como ele fala tanto de si mesmo, isso é sinal de um ego extremamente frágil, de se defender constantemente por medo de ser destruído.

Defesa é a palavra-chave na arma que Eric recebe do Mestre dos Magos: um escudo que pode resistir a literalmente qualquer coisa: fogo de dragão, toneladas de rocha, feitiços mágicos lançados pelo Vingador. Essa arma do Reino é altamente simbólica da vida de Eric no mundo "real": protegido por riqueza e privilégio. No Reino, ele precisa aprender a estender sua influência protetora aos outros.

A escola pode ter sido outra fonte de sarcasmo depreciativo. Ele não parece ser um aluno brilhante. Ele reclama em "Apagando-se o Tempo" que reprovou em história duas vezes e tirou um C- na terceira. Em "A Última Ilusão", quando o Mestre dos Magos diz que "quando as coisas estão piores, elas estarão melhores", a resposta de Eric é "Tente dizer isso para o meu antigo professor de álgebra".

Eric nutre uma admiração relutante por Hank, talvez vendo-o como uma versão do que ele próprio deseja ser. Ele questiona a autoridade de Hank sobre o grupo, não de forma intencional ou desafiadora, mas de maneira meio séria, como o adolescente que é. Quando chega a hora de assumir o comando de fato, com Hank levado embora em "A Névoa da Escuridão", ele se sai muito bem. Mas não o faz por egoísmo. Ele assume o comando por um único motivo: trazer Hank de volta para que ele possa retomar o comando.

Eric proporciona muito alívio cômico na série, e quanto mais penso nisso, mais acho que foi uma boa escolha tê-lo dublado por Don Most. Don é mais lembrado como Ralph Malph da série de TV Happy Days. Isso lhe deu muito treinamento em timing cômico, e isso transparece nas falas de Eric.

Mencionei anteriormente Eric e a Rainha de Zinn, que aparece vestida com aquele tipo de maiô de latão que caracterizava os filmes de fantasia e ficção científica ruins da década de 1940. Não há qualquer indício no roteiro de que Eric — um adolescente, lembrem-se — tenha tido pensamentos carnais sobre a Rainha de Zinn. Isso pode parecer irreal, mas há um limite para o que se pode mostrar na TV americana. Ele não parecia achar a rainha atraente, embora parecesse ter essa opinião sobre Kareena em "Cidadela da Sombra" (ou talvez ele simplesmente tivesse uma queda por loiras com ar de boneca). Ele devia ter um péssimo discernimento quando se tratava de namoradas. Lembre-se de "Filho do Astrólogo", quando ele se consola com Bobby, que "perdeu" Uni para Kosar: "Acontece com os melhores". A menos que fosse o ego falando novamente, essa frase também diz muito.

Apesar de todo o seu sarcasmo e reclamações, Eric pode estar certo em sua avaliação das coisas. Quando Dekion é curado em "À Procura do Esqueleto Guerreiro" e voa para encontrar um portal, Eric diz com desdém: "Nunca mais o veremos". Pelo que sabemos, ele está certo. Ele está certo em reclamar da falha do Mestre dos Magos em fornecer uma resposta simples para uma pergunta simples: qual é o caminho de casa. Sim, ele pode ser um egocêntrico insuportável, mas também pode ser corajoso, altruísta e devotado aos seus companheiros. Ele é definitivamente um diamante bruto, e você pode ver como ele foi lapidado durante seu tempo no Reino.

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